Esta é uma obra de semi-ficção. Qualquer semelhança com fatos, nomes, lugares ou coisa parecida, será mera coincidência.

sobota, 28 stycznia 2012

O Fórum de Joana Bezerra - Parte 20

Anteriormente: Parte 19

Na noite seguinte, encontrei Cláudio exatamente no mesmo lugar onde tínhamos conversado. Dessa vez, lá estava ele esperando por mim com um volume encadernado imenso nas mãos. Me aproximei, já imaginando do que se tratava.

- Isso aí é o atual estatuto do condomínio?
- Exatamente. Pode trabalhar nele esse fim de semana?
- Bem, esse meu sábado tá meio apertado, mas posso arranjar um tempinho pra começar.
- Ótimo. E sobre aquele outro assunto...
- Pode ficar sossegado, eu vou tentar resolver o seu problema. Não hoje, mas vou dar um jeito.

Ele sorriu, apertou minha mão tão forte que achei até que fosse quebra-la, então foi embora. Cansada do jeito que eu estava, deixei o estatuto em cima da mesa e depois do banho caí na cama sem nem mesmo ver a novela.

Sábado à tarde teve o chá de fraldas de Elisa, então para não perder a hora nem me enrolar, cuidei do serviço da casa todo de manhã [felizmente Renato parou um pouco para me ajudar nessa]. Enquanto dávamos uma geral na casa, fomos conversando sobre o resto da agenda do dia.

- Que é que você vai fazer hoje?
- Como não tem show, vou tirar a tarde pra dormir um pouco e de noite a gente podia sair, sei lá... Ir ao cinema, o que você acha?
- Boa. Tô voltando pra casa lá prumas cinco ou seis horas.
- Jô, me diz uma coisa: essa festa só vai mulher, né?
- É.
- Aquele seu ex não vai ficar circulando mesmo?
- Não, pô. Nessas festas só vai mulher mesmo, pelo menos até onde eu sei. E, no máximo, umas criancinhas, caso vá mulher com filho.
- Sei.

Só com aquele “sei” ficou mais do que claro que Renato não estava convencido de que eu não encontraria Adalberto na festa. E se tem uma coisa que me deixa agoniada é quando alguém não está totalmente convencido da veracidade do que eu falei – principalmente quando o alguém em questão é meu noivo e vive comigo. Logo, não fiquei calada.

- Renato, qual é o teu problema? Não me diz que tu ainda tem ciúme de Adalberto comigo.

E ele ficou calado. O silêncio só fez minha irritação crescer e deixei isso bem claro só com a minha cara, porque não queria engrossar mais do que já estava engrossando. Aí ele finalmente disse algo:

- Tu não disse pra eu não dizer que tava com ciúme? Pronto, não tô dizendo!

Aí foi demais. Eu estava com uma esponja de lavar pratos cheia de espuma na mão e taquei na cara dele.

- Besta!

Depois dessa, comecei a rir; mas ele não.

- Renatinho do meu coração, Adalberto é passado há pelo menos... Três, quatro anos, sei lá. E agora ele está com Elisa, se prontificou a assumir a paternidade do bebê e tudo mais. Esse teu ciúme é a coisa mais besta do mundo, sabia?
- Não consigo evitar...
- Acho que eu devia ter ficado com mais gente além dele quando a gente separou, pelo menos você não ia saber de quem sentir ciúme.
- Ou ia sentir ciúme de todo mundo.
- E se eu fizesse tudo escondida, como você ia saber?
- Ah, sei lá... Mas por que você não saiu ficando todo dia com um diferente?
- Porque eu gosto de estar com um só. – tirei o resto de espuma dele e o beijei – satisfeito ou quer mais?

Bem, ele pareceu convencido. Continuamos limpando a casa em paz, almoçamos em paz, fui para o apartamento e deixei Renato dormindo, como ele disse que ia ficar a tarde toda.

Chegando ao prédio, primeira pessoa que vi foi... Adalberto. Ele ia saindo com o carro e buzinou, chamando minha atenção na hora. Não teve como não lembrar da discussão idiota que tive com Renato pela manhã.

- Oi, Adalberto. Tudo bem?
- Tudo certinho. E você? Soube que tá quase casada.
- Pois é! Estamos todos bem, graças a Deus.
- Bem, eu vou deixar vocês com as fraldas e tomar um chope, volto mais tarde.
- Tchauzinho!

Encontrei Elisa e seu barrigão – imaginei que Joyce poderia nascer a qualquer segundo, no meio da festa mesmo – meninas da faculdade que eu não via desde a formatura, algumas pessoas do trabalho e outras tantas desconhecidas. Tudo correndo como um chá de bebê comum, com aquelas brincadeiras, Elisa toda melecada de tinta, pagando aqueles micos maravilhosos... Até que o interfone tocou e ela parou tudo para ir atender. Voltou olhando pra mim com cara de preocupada e fazendo sinal para conversar em particular.

- O que foi?
- Thiago... O carinha que acha que é pai da Joyce, tá lá embaixo.
- Sim, e?
- E quer falar comigo!
- E?
- Você acha que eu vou descer nesse estado pra falar com o cara?
- Quer dizer que você quer que eu vá.
- Me ajuda, por favor!
- Ele disse qual era o assunto?
- É sobre o exame. Se eu não entendi errado, ele pegou o resultado e quer me contar.
- Acho que você devia ir.
- Por favor, Joana! Dependendo do resultado, vou precisar tanto da sua ajuda...
- Já sei. Tá bom, eu vou lá, volta pra galerinha na sala.

Não tinha outro jeito mesmo, então desci para encontrar o tal de Thiago. Ele estava lá, com cara de nervoso e um envelope fechado na mão. Cheguei perto e já fui me apresentando.

- Oi, tudo bem? Não sei se Elisa te falou, mas tá rolando uma festinha lá em cima e ela não pode vir te atender. Meu nome é Joana, sou amiga dela.
- A advogada, mulher do Renatinho Som, né? Tô ligado, curto as músicas dele.
- Puxa... Quem não curte, né? – comentei, tentando aliviar um pouco o nervosismo do garoto.

Enquanto as apresentações eram feitas, Adalberto vinha voltando e em vez de entrar na garagem do prédio, estacionou e foi chegando para ouvir a conversa. Fiquei até surpresa de vê-lo se aproximar.

- Adalberto?
- Oi de novo, Joana. Eu vi o Thiago chegando, resolvi vir atrás.
- Eu só vim trazer o resultado do exame pra Elisa ver.
- Pois eu quero ver também.
- Tá certo, gente. Todo mundo vai ver o resultado junto, ok?

No meio daquela situação bem tensinha, outra surpresa. Renato, que estava dormindo, resolveu aparecer do nada lá na rua e me encontrou com Adalberto e Thiago. Ninguém deu pela presença dele até que o próprio resolveu anunciar a entrada triunfal da pior maneira possível:

- Mas você não disse que nessa festa não ficava homem nenhum? Como é que você tá aí com dois?

Virei bem devagarinho na direção de onde vinha a voz dele, e já contando: cinco, quatro, três, dois, um, pra não explodir. Olhei bem na cara dele e comecei a contar de novo: dez, nove, oito...

poniedziałek, 23 stycznia 2012

Às vezes ele vem [o mimimi]

Volta e meia bate essa coisa chata que me faz ficar perguntando o que há de errado comigo. Fico perguntando, perguntando, procurando; e a resposta, qual é?

NADA. ABSOLUTAMENTE NADA.

E mesmo sabendo disso, bate uma tristezinha, uma sensação de... Sei lá, abandono?
Mas não há nada de errado. Só essa sensação ruim.
Anyways. Vou dormir, que passa.

niedziela, 22 stycznia 2012

Causos de família


Aqui em casa, há uns dias atrás:

EU - Vou ver se programo o DVD pra gravar O Brado Retumbante.
MÃE - Ah, e já terminou O Vento Levou?
EU - Hã?
MÃE - O Vento Levou, aquela minissérie...
EU - Mãe... é O TEMPO E O VENTO!

Aqui em casa, hoje [ou o que acontece quando você e seu pai tem nomes parecidos]:

MÃE - Evana!
PAI - Que é?
MÃE - Falei com Evana!
PAI - Hein?
MÃE - Falei com Evana!
PAI - Hein?
MÃE - FALEI COM EVANA!
PAI - HEIN?

piątek, 20 stycznia 2012

Helênicas, uma resenha

Meu povo, não vou me espichar muito na introdução do texto, não. Mas queria compartilhar com vocês a terceira resenha sobre meu filhote #2, o Helênicas. A resenha foi enviada pra mim por e-mail e não será vista em nenhum outro lugar, só aqui mesmo. Vamos acompanhar?

AS HELÊNICAS
de Evana R.

Enrolei pacas pra escrever essa resenha. Na realidade, ela tinha saído há algum tempo, logo depois que finalizei o livro. Mas relendo hoje cedo senti que, sei lá, faltava alguma coisa, um tempero no texto. Apaguei tudo e reescrevi. Meu jeitinho. Procurei puxar pela memória as principais impressões que as Helênicas me deixaram. E nem sempre é uma tarefa fácil, principalmente se você já leu outros livros. De certa forma, um substitui o outro. E a trajetória daqueles personagens não está mais tão clara, sabe. Mas ó que curioso. Com as Helenas, a coisa foi diferente. É a primeira vez que isso me acontece, eu acho. Até porque a minha memória é digna da peixinha Dori. Largando mão de escapismos, vamos a minha opinião geral sobre o romance. Fiz em formato de tópicos pra dinamizar a leitura e toda aquela questão visual que a gente já conhece. 

1) A construção das heroínas: Foi genial. Sério. As características super bem delineadas. Todas personalíssimas, intrigantes, com razão de existir e o fundamental: sem espaço para passividade. Coisa que mais me irrita no universo é mocinha apática. Lamentavelmente, esse caminho é o mais comum, seja na literatura ou na televisão. 
2) Coadjuvantes participativos: Levando em consideração que Helênicas foi concebida como um projeto para TV e escrita nos mesmos moldes, nada mais justo que a história girasse com o apoio de personagens periféricos. A autoria optou por um caminho bem curioso, diria até ousado, na literatura salpicando as histórias principais [são três, não nos esqueçamos] e valorizando as tramas paralelas. Adorei, em especial, a que envolveu Bartolomeu e Telma. A trama de Felipe se fazendo passar por alemão, mais adiante, ainda como desdobramento desta, também me foi muito simpática.
3) A reviravolta: Fiquei sem fôlego lendo. Devorei o Helênicas em doze dias. E só não acabei antes porque naquelas duas semanas a coisa estava preta. Mil compromissos, provas na faculdade, etc. A sequência que mostra Lindemberg [contém spoiler-contém spoiler] na dúvida se é pai de Lúcia Helena ou não; bem como a possibilidade das três heroínas serem irmãs; e a revelação de que Mariângela é a progenitora da nossa Helena mais batalhadora; nada mais novelesco, não?
4) O desfecho: Ele me decepcionou, a princípio. Como assim não vai ter um final claro? E revirava as páginas, voltava, relia... não, não podia ser. Mas com distanciamento, é compreensível a opção da autora. A vida segue, né gente? E com as Helenas não seria diferente. A última cena, o diálogo entre as três e o emblemático trecho “Cada uma foi para seu canto pensando naquela pergunta. E talvez fosse mesmo o capítulo final – da história daquele encontro, ou daquela reunião de vidas separadas pelos erros alheios. Mas seria o começo de outra, que ninguém sabia ao certo onde e quando ia começar. Talvez fosse naquela mesma noite, no dia seguinte ou só dali a seis meses. Por enquanto, que fosse o fim mesmo”. E ao invés do ponto final, reticências. Porque a vida é cíclica. Ela segue seu curso, por mais injusto que isso seja ou possa parecer.


 ADENDO

Casting: Tinha prometido à Evinha uma lista [pessoal e intransferível, claro] com as minhas sugestões de Helenas. Acho que deve casar com o que ela visualizou. Sintam só.
ANA SOPHIA FOLCH => Lúcia Helena. 
JULIANA LOHMANN => Célia Helena. 
LETÍCIA COLIN ou FERNANDA SOUZA => Maria Helena. 

***
Espero não ter me estendido mais que o necessário. Obrigado pela oportunidade de escrever tanto.

Eddy Fernandes, 20 de janeiro de 2012.
Manaus – AM

Eddy, chérie, muito obrigada por tudo e feliz aniversário, viu? E sim, eu tinha pensado na Anna Sophia pro meu elenco imaginário, heheh. :)

poniedziałek, 16 stycznia 2012

Um drama em formiguês

Aí que eu tava ontem não fazendo nada no meio da tarde, deitei para ver se cochilava um pouco e o sono, que é bom, não veio. Mas veio uma ideia para um filminho. Peguei a filmadora na gaveta, registrei pouco mais de um minuto e depois é que fiz o texto. Assim nasceu este vídeo:



Foi feito em menos de 24 horas, num impulso, de brincadeirinha. Eu andava precisando disso e é só o começo. Tem pelo menos uns dois roteiros - que já foram postados aqui - e um que ainda não foi objeto de post para filmar. Em breve, se Deus quiser, apresento aqui muito em breve.

Ah, o roteiro do vídeo acima :)

Um drama em formiguês

niedziela, 15 stycznia 2012

Dia 15


Faz só 15 dias que o ano começou e já aconteceu um monte de coisa. Tive decepções crushísticas [chamar de amorosa seria avacalhar o amor, então inventei esse nome aí]; tive umas ideias legais que já passei pro papel – ou melhor, pra tela do pc – estou começando a realizar um sonho antigo e de repente surge a chance de fazer algo totalmente diferente, pegar um caminho bem impensado. Ah, estou falando de carreira, caso não tenha ficado muito claro...

Também tenho me esforçado por sair da toca. Levei uns bons puxões de orelha no fim do ano, por andar reclusa; e, admito, todos estavam certos. Eu estava quase sem vida social e se não fiquei totalmente isolada no trinômio trabalho-estudo-casa, foi por causa da igreja. Mas esse ano, resolvi me permitir um pouco mais. Afinal de contas, o tempo passa, o tempo voa...

Anteontem rolaram os shows do Michael W. Smith e do Thalles Roberto no Clube Português. Michael eu ouvia desde criancinha, gosto de basicamente todas as músicas dele. Já Thalles descobri ano passado, revirando o google com um amigo. Quando vi o outdoor em Boa Viagem, pensei logo: VOU! Liguei para uma amiga, agitei a compra do ingresso no front stage [porque pra mim só presta assim, digo logo] e fomos todos pra lá. Antes, uma pausa no shopping para fazer um lanchinho. Coisa leve... Hamburger com cheddar, batata frita, pastel de Belém... de light mesmo, só o suco de pêssego em latinha, que tinha assim “light” no rótulo.

E teve uma cena meio engraçada logo no estacionamento. A gente chegou e tinha um carro bem mal estacionado do lado do nosso. Comentário do motorista? “Só pode ter sido mulher.” E lá vai o time das meninas [em maioria] defender o nosso lado, quando chega A DONA do carro.

EU – (baixinho) Lu, é uma mulher mesmo... E é loira!
[corre pra não apanhar da amiga]

Depois teve o lanchinho, cartão de crédito que não passa [buááá], DVD de Bruno e Marrone, dificuldade pra estacionar, mas chegamos a cinco minutos do começo do show. Estávamos lá, perto do palco, vendo e ouvindo tudo bem direitinho... Aliás, eu fiquei bem embaixo de um dos telões e só fui perceber quando dei um soquinho no dito cujo. *abafa o caso*

Nesse show, percebi que 99% das músicas do Michael W. Smith têm versão em português. Todas as canções do setlist tinham, e o pessoal cantava TU-DO. Todos trabalhados no bilinguismo, hehe. Os músicos super competentes [aliás, reparei que o baixista é A CARA do meu amigo Andreas, de Copenhagen! Vou dizer a ele], entretenimento com mensagem contundente, de amor, amizade, fé. Todo mundo saiu dali com o coração mais alegre, certeza. E querendo mais!

Depois teve o show do Thalles Roberto, que começou faltando 15 pra meia noite [Michael W. Smith terminou de tocar às 22:45] e a gente não ficou até o fim, por várias razões: cansaço, perna doendo, episódio da toalha ungida [long story, quem quiser saber, me pergunta]... Do pouco que vi, achei um tanto alvoroçado demais. A banda ótima [em especial o guitarrista, que é daqui da terrinha!], som legal, o cantor é um bom showman, mas eu não tava entendendo NADA de letra de música nenhuma. Muito pulo, euforia mas eu tava meio perdida, sério.

E essa foi a minha sexta-feira. Chegando em casa uma e pouco da manhã... Dormi mal, mas já compensei do sábado pro domingo e acho que tô pronta pra outra...

Ah, e ficou uma lição: NUNCA MAIS vou pra um evento sem minha câmera. Filmagem e fotografia de celular #EPICFAIL. A MENOS PIOR das minhas filmagens foi essa daqui.

piątek, 13 stycznia 2012

O Fórum de Joana Bezerra - Parte 19

Anteriormente: Parte 18

As primeiras semanas no bairro novo foram mais ou menos o que se espera de um começo. Nada muito fácil, nada muito difícil. Mamãe, vovó e meus sogros aparecem por aqui a cada dois ou três dias, ainda estamos comprando algumas coisinhas para acabar de mobiliar... Mas o lugar está sendo cada vez mais nosso. E os vizinhos parecem ser mesmo legais. Claro que duas semanas ainda é muito pouco para saber se eles são legais com a gente porque são ou porque meu noivo/namorado/namorido/whatever é famoso.

Para tirar a dúvida, tenho ficado um pouco pelas áreas comuns quando volto do trabalho. Converso um pouco, mas passo a maior parte do tempo tomando sorvete e observando como são os outros moradores entre si. Até aqui, minhas impressões têm sido boas.

Essa noite aconteceu uma aproximação mais efetiva. Já falei do síndico que faz às vezes de porteiro e que me chamou de novinha logo no primeiro dia, né? Pois então: o trabalho no escritório esses dias anda tão excruciante que muito provavelmente ando com uma constituição e o código penal equilibrados na cabeça, porque todo mundo vem pra mim falar de trabalho, de processo, de tudo o que eu deveria deixar no escritório quando acabasse o expediente. Com o síndico não foi diferente...

- Boa noite, Joana!
- Boa noite, seu Cláudio.
- Veja só, você é advogada, não é?
- Sou. Atualmente trabalho com pequenas causas e ações familiares.
- Ótimo... Acho que vou precisar bastante da sua consultoria jurídica.
- E em que eu posso ajudar?
- A princípio, em duas coisas. Primeiro, o estatuto daqui do prédio precisa de uma revisão, eu estou trabalhando nela e queria que você desse uma olhada, me ajudasse a revisar tudo. Segundo, é uma questão de reconhecimento de paternidade...

Cláudio começou a desfiar em detalhes a história. Ele era casado – e muito bem casado, aliás – mas achou de se enrolar com uma ninfetinha que mora no último andar. Ela tinha uns 17 anos e meio, o que o deixou meio cabreiro no começo porque ele já tem quase seus cinquentinha. Mas a garota, de nome Cecília, era insistente, era matreira e acabou conseguindo o que queria: perder a virgindade com o síndico. 

Vou dizer: ele tem seu charme. Mas voltando ao rolo com Cecília, ele não acreditou muito na história de virgindade, porque a garota volta e meia aparecia se agarrando com um boyzinho pelos muros de Casa Amarela. Se era verdade ou não, já não mais importava, porque Cecília engravidou, o prédio quase caiu no dia em que o embriãozinho foi descoberto na barriguinha de Ceci – hoje ela tem 18 anos – e agora a moça vive reclusa dentro de casa. Cláudio desconfia que seja o pai, mas não sabe o que fazer, porque até agora ninguém sabe da puladinha de cerca – quer dizer, só eu, né? – e o povo nem cogita aponta-lo como suspeito. Muito pelo contrário! O chamaram para perguntar se ele tinha visto o rosto de um dos garanhõezinhos que costumava se esfregar com a menina na parede. Qualquer um era suspeito, menos Cláudio, ora vejam vocês.

Encerrada a conversa, garanti que ia dar uma força com o estatuto do condomínio e poderia até tirar um fim de semana ou um dos meus dias de folga para trabalhar nisso. Não que ele tivesse oferecido grana pela parte do estatuto, mas como eu sou moradora do prédio, é coisa de interesse meu também, né? Quanto à parte do processo de reconhecimento de paternidade, achei aquele caso tão complicado ou até mais do que o rolo de Elisa. Bem, pelo menos ela é solteira e maior de idade; enquanto o caso daqui do prédio envolve uma recém-maior de idade e um sujeito quase 30 anos mais velho, casado há quase trinta anos. Punk, não?

Falando em Elisa, o chá de bebê tá aí, na minha cara; e ainda não tinha ido comprar o pacote de fraldas que tinha sido pedido no convite. Como já estava meio tarde, liguei para Renato e pedi que ele passasse em uma farmácia 24 horas para comprar as fraldas depois do show.

Até aí, tudo bem. Na certeza de que ele não ia esquecer de trazer as benditas fraldas, vi um pouco de TV, me entreguei ao sono e dormi no sofá mesmo, com TV ligada e tudo. Ela desligaria sozinha depois de meia hora, mais ou menos. O que eu não esperava era que além das fraldas, Renato me chegasse em casa com uma das histórias mais lindamente hilárias que já ouvi na vida.

Já era umas duas da madrugada quando ele chegou me cutucando:

- Jô, sabe aquela hora que você me ligou? Eu ainda não tinha subido no palco e acho que alguém escutou a conversa.

- Como assim? – eu ainda estava meio grogue.

- O telefone tava no viva voz.

- Ah... – foi tudo o que eu consegui responder, porque né, duas da manhã, eu tinha dormido no sofá e havia acordado não tinha nem cinco minutos. Se eu estivesse mais desperta, Renato ia levar babau por ter deixado o aparelho no viva voz. Já pensou se o assunto fosse mais sério do que uma compra prum chá de fraldas?

- Bem, alguém ouviu e espalhou que eu ia ser pai. Quando eu vi, alguns fãs mais metidos a engraçados arremessaram um monte de pacotes de fralda no palco. – e aí ele começou a rir – Não é muito doido isso?

- É...

- Olha lá quanta fralda. Desmenti a história, mas foi tão engraçado que até improvisei cover de Pare de Tomar a Pílula.

Renato apontou para o canto da sala onde tinha deixado os pacotes que, no começo, achei que era apenas um multiplicado pelo meu sono descomunal. Felizmente, ele percebeu que eu estava mais para conversar com o travesseiro, me pegou no colo, deu um beijo de boa noite e apaguei.

Só quando o despertador tocou, me arrastei para a sala e vi a pequena pilha de pacotes de fraldas é que lembrei da conversa truncada da madrugada e desatei a rir porque era tudo de verdade. Passada a crise de riso, peguei o pacote que ia levar para a festa de Elisa e tive umas boas ideias do que fazer com as fraldas remanescentes, já que [por enquanto] não haveria rebento nenhum aqui em casa.