Esta é uma obra de semi-ficção. Qualquer semelhança com fatos, nomes, lugares ou coisa parecida, será mera coincidência.

środa, 8 lipca 2009

O último ruflar das asas encardidas

Amanhã é feriado aqui no Cabo. Mais um daqueles feriados que não me atingem há três anos, porque faz três anos que eu só durmo aqui e todo o resto da minha vida tá no Recife. Então de tanto não me atingir, eu não me ligava muito nos eventos comemorativos do aniversário da cidade. Tinha até esquecido que amanhã era 9 de julho, feriado local.


Mas hoje, com a minha mãe insistindo para eu resolver uns detalhes burocráticos, o assunto acabou vindo à tona. E eu comentei que tava achando tudo calmo e silencioso demais para uma véspera de feriado. Nenhum carro de som, nenhum anúncio de show, também não vi nenhum cartaz. E minha mãe:


- Mas vai ter! A despedida do Asa Branca.

- Despedida? Oi?

- É, um show de forró. Vai ser o último. Onde é o Asa Branca vai virar um Carrefour. É o Cabo evoluindo! Shopping, Carrefour...


Primeira pergunta: quando o Asa Branca fechar, onde é que vão fazer os shows?


Tá certo que antes, há uns dez anos atrás mais ou menos, não tinha esse espaço e os eventos aconteciam na Destilaria ou na Praça da Estação ou na Praça da Bíblia. Ah, tinha o Gaibu Praia Show também, que abriu e fechou com show do Terra Samba. Inclusive um dos primeiros shows que eu fui, um gospel, foi na Praça da Estação. Era o CaboFeliz com Jesus e lembro como se fosse hoje do 'mestre de cerimônias' garantindo que no ano seguinte iam trazer Oficina G3. Okz. Um ano depois da 'promessa' a atração principal foi Leonardo [xará do sertanejo] e no outro ano nem teve mais CaboFeliz.


Saber que o Asa Branca, que eu chamo *carinhosamente* de Asa Encardida [por nunca ter encontrado os banheiros em uma condição muito agradável - e olhe que eu só ia lá pra me olhar no espelho e usar o telefone quando o barulho tava impossível!], vai encerrar as atividades me trouxe algumas lembranças... Do dia em que foi anunciado o show de inauguração: Zezé di Camargo e Luciano. Minha vizinha na época foi com o sobrinho e trouxe de lembrança pra mim e pra minha prima fotos autografadas, daquelas que vendem nos camelôs. Uma da dupla pra mim, e outra só de Zezé pra minha prima.
Algum tempo depois veio a minha primeira chance de ir ver um show. Kléber Lucas. O evento começou às quatro da tarde com uns cantores locais, depois o tempo foi passando, o cantor principal não chegava e a gente já ia repetindo em uníssono: 'enrolão! enrolão! enrolão!' Muitos 'enrolão!' depois, apareceu o cantor, vestindo uma inacreditável calça preta brilhosa com camisa roxa. E a galera [incluindo eu, no auge dos meus 12 ou 13 anos] foi ao delírio.
E o show da banda Catedral, com participação especial mais que involuntária do Galego da Produção, que arrancou gritos de 'lindo!' das meninas [não, eu não tava gritando, mas minha prima me fez tirar uma foto do moço, que deu tchau pra ela no fim]. E nem teve banda de abertura, mas quando eles tocaram Desire, do U2, eu tremi.
Teve também a primeira vez que vi o noivo de uma amiga minha tocar na abertura de um show aí. Com direito a apresentadora dos shows o imitando bizarramente. Foi risível. E ele fica ir-re-co-nhe-cí-vel. Foi nesse dia que vi o Oficina G3 ao vivo, muitos anos depois daquela promessa do mestre de cerimônias do CaboFeliz. Tive que sair antes da meia noite, mas tudo bem.
E como não esquecer da última Marcha de que eu participei com minhas amigas, e a gente cantando o hino de Pernambuco histericamente perto do trio elétrico? E o show que eu paguei pra não ver porque Lázaro não apareceu na hora?
Muitas histórias...
E a segunda pergunta: quando é que vai inaugurar esse shopping? Eu quero ir pro cinema a pé. --'

1 komentarze:

Jimmy pisze...

adorei o post. é realmente estranho quando algo esta num lugar há muito tempo e constroem outra coisa nadaver no lugar. aqui em boa viagem brotou um carrefour em dois meses onde tinha sido o Colegio Atual por uns 15 anos...vai entender.