sexta-feira, 5 de julho de 2019

Quando Mariana entrou na adolescência, no caminho das primas, apaixonou-se por Túlio, “o primo!’. Ele foi o primeiro beijo de todas elas, menos de Mari. Fora dos padrões para sua idade, sempre foi mais cheinha, chatinha, recatadinha. Se dizia apaixonada por atores e cantores, sua zona de conforto era o “platônico”. Mas foi numa das férias em Cabo-Frio, quando Túlio a salvou de uma onda, que ele se tornou o seu príncipe.
Nos seus 15 anos, Mari dançou a valsa com o avô, o pai, os tios e finalmente com os primos e ele estava lá, lindo! No fim da festa, só os adolescentes e até poderia ter acontecido algo, mas Mari tinha uma cruel mania de se fazer de difícil.
O tempo passou, Túlio se tornou dentista, continuou garanhão e solteiro convicto. Mari formou, casou na igreja, toda certinha! Eles só se vêem nos encontros de família e o tempo se incumbiu de secar os fantasmas.
Nos 40 anos de Mari, a prima Ceci reuniu apenas mulheres na sua casa para comemorar. Mari bebeu um pouco além da conta, terminaram a noite revirando as fotos antigas, rindo das roupas, dos penteados e das caras dos anos 80. Mari encontrou uma foto do seu aniversário com todos os primos.
— Festa boa!!! - diz Ceci entre uma bicada e outra na última cerveja.
— É, meu aniversário foi inesquecível - constata Mari nostálgica.
— Deve ter sido mesmo, foi o dia que você deu pro Túlio! – disse a prima.
— Tá doida Ceci! Eu nunca beijei o Túlio. – surpresa.
— Pois eu já e muito. Não precisa fazer drama, deu pra ele que eu sei!
— Não dei, juro! – retruca Mari.
— Ele diz pra todo mundo que comeu todas nós e que você foi no dia do
teu aniversário!
— Filho da puta! – indignada!
Foi assim que Mari descobriu que sempre esteve na boca do povo. No dia seguinte, passeando numa loja de lingerie, conta a novidade à amiga Rose.
— Bem feito! Jogo duro só se ferra! – Rose entre risos enquanto admira
um espartilho preto.
Contrariada, Mari procura o preço numa calcinha bege.
— Que isso! Tesão abaixo de zero! – espanta-se Rose com a escolha
da amiga.
— Isso não tem nada a ver! Meu relacionamento está ótimo!. – reage Mari.
— Mas ele já pisou na bola. E eu te digo: Chifre trocado não dói! – Insiste
Rose enquanto pega uma calcinha fio dental vermelha e joga para Mari.
— Toma, presente de 40! Pra te dar coragem!
— Se eu usar isso, o Nando tem um ataque de riso. – Conclui Mari.
— Quem falou em sexo caseiro? Isso pra uma ocasião especial, pra
surpreender! Vai dizer que não tem fantasias? – cutuca Rose.
Mariana, com a calcinha vermelha numa das mãos e a bege “G” na outra, analisa rapidamente seus 15 anos de casamento, dois filhos, um apartamento financiado e sexo quinzenal. O que poderia ser melhor aos 40? Fantasias...
— Tarde demais! Vontade é coisa que dá e passa! – Conclui Mari optando
pela bege “G”.
Rose vê a amiga deixar a peça vermelha de lado.
— Mari, oportunidades acontecem e você tem que estar preparada! A
vermelha vai sim!
Mais tarde, numa zapeada no celular, Mari vê um comentário de Túlio na foto dela com Ceci. Não vacila, tasca um “babaca”. Imediatamente chega uma reclamação “in box” e ela responde: “Você não viu nada!”
No fim do expediente, Mari vai ao consultório de Túlio que a recebe carinhoso e, como sempre, lindo.
— Prima, tudo bem? Fiquei preocupado. – enquanto põe os instrumentos
na estufa.
Mari olha tudo, imaginando quantas mulheres ele comeu naquela cadeira.
— Não. Eu tenho que resolver uma coisa com você! – Responde Mari
secamente.
— O que será? – Quer saber Túlio com ar de deboche.
— Como é que você diz que transou comigo no meu aniversário de 15anos?
— Putz! Essa reclamação tá meio atrasada, hein! – irônico
— Você sabe que isso não aconteceu! – irrita-se Mari.
— Ah, bobeira adolescente! Desculpa, vai! Já passou.
— Muito babaquinha você! Tirando ondinha de comedor! – metralha Mari.
— O que você quer que eu faça, depois de, sei lá, 30 anos?
— São 25 anos! – se irrita ela.
Enquanto Mari desabafa, ele se vira e vai chegando mais perto dela.
— Tá bom, eu fui um babaca! E agora? – concorda Túlio interrogando.
Ele se aproxima e Mari incomodada, se esforça para manter a pose.
— Eu não sei... mas eu acho sacanagem, nunca rolou nem beijo entre a gente!
Túlio fica mais perto e Mari encosta na parede, ficam cara a cara e ela pode sentir a respiração dele.
— Isso dá para resolver. – sussurra enquanto encosta sua boca na dela.
Ele a beija bem devagar, ela aceita e quase relaxa, mas logo recobra a consciência, o empurra e vai embora batendo a porta, enquanto ele ri. No elevador, Mari se olha no espelho, limpa a boca, mas percebe um certo contentamento. Aquela era a tal oportunidade! Aperta o andar de volta, pega a calcinha vermelha na bolsa e troca ali mesmo. Quando vai tocar a campainha do consultório, Túlio abre a porta pronto para sair.
Mari o empurra de volta e bate a porta. Ele tenta saber o que ela quer, mas não dá tempo.
— Se é pra fazer, então faça bem feito! – ordena ela.
Mari tasca-lhe um suculento beijo na boca, ao que ele corresponde e deixa cair a bolsa de ombro e o casaco. Os dois se engalfinham, se atrapalham com as roupa um do outro sem desgrudar as bocas. Mari nunca teve tanta coragem na vida, era agora ou nunca. Nada havia o que esperar daquele homem que ao mesmo tempo que não conhecia, o conhecia desde criança. Não hesita abrir a calça de Túlio e sentir tudo aquilo que sempre quis. Era do jeito que ela havia sonhado! Então, ele ali, jogado no sofá meio que sentado, ela em cima dele de sutiã e calcinha vermelha, lambe aquele pescoço, aquele peito lindo, para e admira, quase uma obra de arte, ele surpreso, mas pronto pra tudo. Mari aproxima o rosto daquele peito, cheira, se esfrega e continua seu passeio, beijando, lambendo e chupando o que viesse pela frente. Como numa dança, um passo após o outro. Ele abre as pernas e se ajeita no sofá, olhos fechados e suspiros profundos enquanto ela desliza. Termina de joelhos no chão, entre as pernas daquele homem que tanto desejou na vida, sem pudor enfia a mão por dentro da cueca mais linda que já havia visto e faz o serviço muito bem feito. Num prazer ofegante, ele se remexe com cuidado, com receio
de que acabe. Quando Mari sente a respiração frenética do primo, ela para e de cabeça erguida, contempla sua presa. Túlio senta extasiado e olha nos olhos dela ela, num gesto seguro, mas delicado enfia as mãos nos cabelos de Mari e cola seu corpo no dela.
— Garota, onde você escondia tudo isso? – sussurra no ouvido dela, entre
uma lambida e outra na orelha, no rosto, na boca, no pescoço...
Ela não diz uma palavra uma única palavra, só olha como se devorasse cada minuto. Ele a deita no tapete, baixa as alças do sutiã, beija os seios, a barriga e ao chegar próximo à calcinha vermelha, admira e suavemente a desliza pelas pernas de Mari com a boca. Ela delira! De repente ele para, puxa a bolsa jogada no sofá e encontra, com olhar vidrado nela, rasga a embalagem da camisinha com os dentes, ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Quase um sonho! Aquele homem tão esperado, ali, a penetrando devagar e maravilhosamente! Túlio toma posse do corpo de Mari, que prova o gostinho do egoísmo, não ter que pensar em ninguém a não ser nela mesma, que delícia! Sente cada detalhe, cada movimento, coisas que ela nunca ousara, porque precisava pensar no outro, trocar, sugerir, mas agora não, era a dona da situação que ela própria havia criado e se dava o direito se senti-la em todas as nuances. Lentamente chega ao orgasmo, maravilhada e feliz e ele logo em seguida. Durante instantes fica ali, de olhos fechados e quando abre, quase não se reconhece, vê aquele homem ao seu lado, é TÚLIO, totalmente extasiado, relaxado. Mari respira fundo, não esconde seu contentamento. Sob um olhar encantado do primo, levanta-se, veste-se sem pressa, ajeita o cabelo e sai, sem bater a porta, levando a certeza de que nunca é tarde demais.

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